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"Bolsonaro está muito no páreo", afirma cientista política

  • GDF
  • Abril 13, 2022

Fraqueza da 3º via e Auxílio Brasil dão sobrevida a Bolsonaro em pesquisas. No entanto, para pesquisadora Carolina Botelho, alta rejeição do presidente e mau estado da economia devem ser decisivas para impedir reeleiçãoA recuperação da popularidade do presidente Jair Bolsonaro, registrada em pesquisas de opinião recentes, trouxe novos ingredientes para os prognósticos da eleição presidencial de outubro. Após atingir seu patamar mais baixo em novembro de 2021, quando chegou a 19%, a taxa de aprovação do seu governo subiu para 22% em fevereiro e, em março, atingiu o patamar de 24%.

A tendência revelada inicialmente pela pesquisa Genial/Quaest foi observada também no levantamento mais recente do Datafolha, que confirmou também um aumento na intenção de voto em Bolsonaro. Os dados mostram uma sobrevida do candidato do PL na disputa contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que continua líder das pesquisas com ampla vantagem.

 
 
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Fraqueza da 3º via e Auxílio Brasil dão sobrevida a Bolsonaro em pesquisas. No entanto, para pesquisadora Carolina Botelho, alta rejeição do presidente e mau estado da economia devem ser decisivas para impedir reeleição

HRW diz que Bolsonaro tentou minar os fundamentos da democracia e divulgou informações falsas sobre a covid-19 em 2021© UESLEI MARCELINO/REUTERS HRW diz que Bolsonaro tentou minar os fundamentos da democracia e divulgou informações falsas sobre a covid-19 em 2021

A recuperação da popularidade do presidente Jair Bolsonaro, registrada em pesquisas de opinião recentes, trouxe novos ingredientes para os prognósticos da eleição presidencial de outubro. Após atingir seu patamar mais baixo em novembro de 2021, quando chegou a 19%, a taxa de aprovação do seu governo subiu para 22% em fevereiro e, em março, atingiu o patamar de 24%.

A tendência revelada inicialmente pela pesquisa Genial/Quaest foi observada também no levantamento mais recente do Datafolha, que confirmou também um aumento na intenção de voto em Bolsonaro. Os dados mostram uma sobrevida do candidato do PL na disputa contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que continua líder das pesquisas com ampla vantagem.

Para a cientista política Carolina Botelho, os dados mostram que Bolsonaro é um candidato forte. Em entrevista à DW Brasil, ela, porém, ressalta que o presidente não deverá ser capaz de superar a barreira da alta rejeição indicada nas pesquisas. Segundo o Datafolha, 55% dos eleitores não votariam em Bolsonaro de jeito nenhum. O percentual dos que rejeitam Lula é de 37%.

Todavia, a recuperação na popularidade sinaliza que o presidente pode ampliar sua base de apoio pelo uso da máquina pública, na avaliação da pesquisadora do Doxa - Laboratório de Estudos Eleitorais, de Comunicação Política e de Opinião Pública do IESP/UERJ.

"Eu diria que ele (Bolsonaro) ainda está muito no páreo, não é um cara derrotado. Nesses últimos meses, a gente percebeu que o poder da caneta dele é bastante forte. Por maiores que sejam as tragédias provocadas no Brasil por sua incapacidade administrativa, para falar o mínimo, ele manteve um grupo muito coeso e estável até então”, analisa BotelhoApós ter criado o Auxílio Brasil em outubro do ano passado, para substituir o Bolsa Família, o governo tem implementado outras ações voltadas a grupos específicos do eleitorado, sobretudo os mais pobres. Em março, Bolsonaro anunciou um amplo pacote de medidas para liberar mais de R$ 150 bilhões em recursos a trabalhadores e aposentados.

As pesquisas indicam uma sutil oscilação positiva no apoio do eleitorado mais pobre, grupo que concentra ampla rejeição ao presidente. Ao contrário de 2018, quando a agenda moral teve grande peso na eleição, Botelho acredita que o fator econômico será decisivo no pleito deste ano.

"Os fatores de ordem prática, de sobrevivência das pessoas, vão se sobrepor à pauta moral, anticorrupção, lavajatista, que foi a mais importante em 2018”, afirma. "Hoje, ela ainda é forte, mas não é capaz de vencer a eleição sozinha”..

DW Brasil: Como entender a recuperação de popularidade de Bolsonaro, detectada recentemente em pesquisas?

Carolina Botelho: Com a pandemia e a queda da renda das pessoas pela deterioração econômica, Bolsonaro foi perdendo apoiadores. No debate sobre uma alternativa ao Bolsonaro e ao próprio Lula, líder das pesquisas, começaram a surgir, de forma fragmentada, candidatos que seriam o que autointitularam terceira via.

No momento em que eles se mostraram pouco vigorosos e ameaçaram sair do páreo, os próprios eleitores perceberam isso. Eleitores que provavelmente votaram nele [Bolsonaro] em 2018 não estavam mais tão contentes por conta da gestão dele e tentaram outras vias. Perante o fracasso delas, voltaram ao caminho natural, que é escolher o próprio Bolsonaro. Afinal, desejam fazer uma oposição em contraponto ao líder das pesquisas, em quem não querem votar. Esta é uma das explicações.Vemos também que, quando o auxílio emergencial começa a ser pago novamente, Bolsonaro ganha um fôlego em grupos específicos. Falo dos mais pobres, um dos grupos que mais saiu da base de Bolsonaro desde a última eleição. Seu nome vinha sendo muito rejeitado em função da perda de renda, do desemprego, e dos impactos diversos da pandemia. Agora, há uma recuperação do presidente com esse grupo, por meio do Auxílio Brasil.

Vemos isso muito claramente, porque a popularidade dele respondeu de forma muito positiva ao auxílio de R$ 600 no auge da pandemia. Em dezembro, ele para de pagar, e a rejeição dele aumenta muito, principalmente nos grupos de mulheres e pobres, que mais sofreram com as consequências da crise. No momento em que ele injeta esse dinheiro novamente, tem uma pequena recuperação.Há, ainda, um terceiro fator. Temos um Executivo completamente dependente do Congresso. Pela imprensa, ouvimos uma série de denúncias sobre orçamento secreto. A gente passa a não ter muita transparência do que está sendo gasto pelo Executivo para o Legislativo, mas a gente percebe que esses caras estão recebendo e promovendo uma distribuição de recurso público. A verba é repassada para os aliados, ministérios e, por sua vez, para as prefeituras e lideranças locais. O governo está sendo "bem-sucedido” em cooptar aliados, para fazer uma transferência enorme da caneta dele, do Orçamento Federal, a fim de diminuir sua rejeição e ganhar o apoio de grupos específicos.

Bolsonaro está fazendo isso para ganhar a eleição e vai jogar dinheiro de onde tiver, independentemente do risco fiscal que cada vez mais se aproxima, da crise econômica e social. Bolsonaro tem um caminho certo, que já deu resultado nos últimos meses. A gente observa que o poder do Orçamento Público sobre a população é bastante importante.

Quais as chances de Bolsonaro sustentar a recuperação nas intenções de voto?

Essa pequena elevação já era esperada por conta desses três fatores. Por outro lado, Lula está muito estabilizado na lider

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