Explosão de caixas eletrônicos desafiam vigilância no centro do DF

Casos de assaltos ocorridos apesar da presença de vigilância, câmeras ou obstáculos expõem a fragilidade da segurança e chamam atenção pela ousadia dos ladrões.

Jéssica Antunes
jessica.antunes@grupojbr.com

Foto: João Stangherlin/Jornal de Brasilia.

Não adianta ter proteção patrimonial ou até ser a sede do governo local: no DF, qualquer lugar é alvo de criminosos. Casos de assaltos ocorridos apesar da presença de vigilância, câmeras ou obstáculos expõem a fragilidade da segurança e chamam atenção pela ousadia dos ladrões. Os mais recentes alvos foram os caixas eletrônicos do anexo do Palácio do Buriti, no centro do poder e a menos de um quilômetro da Secretaria da Segurança Pública, e provocou atrito entre corporações.

Os estilhaços de vidro amanheceram no chão. Protegido pela Casa Militar, o edifício abriga várias secretarias de governo e foi alvo de três criminosos por volta das 3h40. Eles explodiram dois de cinco terminais instalados na área do restaurante dos servidores, ao lado da de uma das portarias. O grupo fez ao menos quatro tiros de fuzil de uso restrito e levou dinheiro em quantia não divulgada. Para trás, deixaram R$ 6 mil. Segundo o Sindicato dos Vigilantes, à noite não há segurança naquela portaria.

Pela manhã, a movimentação de peritos foi intensa. Agentes da Defesa Civil foram acionados para conferir a estrutura do prédio, que não foi danificada. O caso é investigado pela Coordenação Combate a Corrupção, ao Crime Organizado, aos Crimes Contra a Administração Pública e aos Crimes Contra a Ordem Tributária (Cecor), que não repassou nenhuma informação sobre o que já foi possível descobrir.

“A ação chama a atenção pela localização. Espera-se que seja uma área segura, com policiamento. A ação foi planejada. Ninguém passa por um caixa e decide explodi-lo. Esse crime não é praticado por oportunidade. Ainda mais ali. Eles sabiam que teriam algum tipo de êxito. Certamente é um grupo que já tinha feito isso antes e possivelmente voltará a fazer”, destacou o delegado Fernando César Costa.

Alfinetada

O chefe da coordenação criticou o comprometimento das cenas de crimes. “As grandes dificuldades que a polícia enfrenta nesse tipo de crime é que ele é geralmente praticado na madrugada, com explosivos que limitam os vestígios. Não raras vezes temos vestígios destruídos por outras instituições que atuam no local e isso impacta a investigação”, afirmou.

Ele exemplificou uma tentativa de explosão ocorrida há duas semanas, na Administração Regional do Riacho Fundo II, quando a Polícia Militar destruiu o explosivo abandonado. O delegado também apontou supostas irregularidades parecidas em 2015. Para o delegado, os artefatos seriam essenciais para a apuração dos casos.

Em resposta, a Polícia Militar informou que as operações para destruição de artefatos, a Petardo, é regulada pela SSP e obedece a doutrinas internacionais. A primeira preocupação é com a preservação da vida daqueles que possam ser vítimas de restos de explosivos.

“Os explosivos não são a única fonte de evidências neste tipo de ação, podendo existir no próprio caixa eletrônico, portas bancárias, veículos, câmeras e outras ferramentas utilizadas na ação”, ressaltou a corporação. A PMDF diz que “sempre tem se colocado à inteira disposição da polícia judiciária para elucidação desses crimes”.

Quadro defasado

Há, no GDF, 6.232 vigilantes terceirizados de três empresas. Eles atuam em 3.116 postos de vigilância. Há dois anos, 600 postos foram cortados. “Com certeza a redução interfere na criminalidade. A presença de vigilância inibe a ação de criminosos em qualquer lugar. Se tivesse alguém na área dos caixas do Buriti, certamente teriam tido mais dificuldade ou o socorro seria acionado mais rápido”, observa o secretário de comunicação do Sindicato dos Vigilantes, Gilmar Rodrigues.

Investigação interna

A Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão instaurou procedimento de investigação preliminar para apurar se houve falhas administrativas durante a vigilância da noite. Segundo a pasta, o Anexo do Palácio do Buriti conta com cinco postos de vigilância por turno, sendo quatro vigilantes armados e um desarmado. À noite, há dois brigadistas, que, apesar de não exercerem função de vigilância, auxiliam em emergências.

Porta-voz da Polícia Militar, o major Michello Bueno atribui os casos de assaltos que desafiam a presença de segurança à ousadia dos criminosos. “A polícia tem impedido e prendido muito, mas sempre existem ladrões ousados em todos os lugares do mundo. A maioria dos criminosos procura facilidade e prefere locais com menos vigilância. Quando há segurança, a incidência é menor”, afirma.
Para ele, a impunidade pode ser a explicação. “A polícia tem feito o trabalho dela, são mais de mil ocorrências diárias. Mas eles não têm medo de ser presos e chegam a ir rindo para a viatura. Não têm medo de câmeras, nem escondem o rosto mais. A sensação de impunidade gera essa ousadia”, diz.

Postado em: 25/07/2018 às 09:31:17
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