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Fim de ano transforma o DF com centenas de famílias carentes nas ruas

  • GDF
  • Dezembro 12, 2021

“Só das doações que a gente recebe, vale a pena [acampar nas ruas]”, é o que acredita Maria de Lourdes de Jesus, de 44 anos. Há 3 anos, durante as festas de fim de ano, a catadora se muda com a família para um terreno descampado na L2 Norte, próximo ao acesso à via L4, em busca de doações a fim de atravessar os meses de dezembro até abril.Atualmente, a família de 20 pessoas reside em uma invasão próxima ao Iate Clube, dentro de uma mata. “Viemos na sexta (3/12) para passar o mês e vamos ficar até a virada do ano”, conta.O grupo representa um de muitos acampamentos levantados às margens de algumas vias do Distrito Federal durante dezembro. O objetivo é receber donativos ? roupas, cestas básicas, brinquedos, entre outros materiais. Segundo a matriarca da família de catadores, recorrer às doações é a solução para a baixa de preços de reciclados durante o período. “Para quem trabalha na área, é complicado. Tem dia que chove e a gente não ganha nada”, detalha.Para o companheiro de Maria de Lourdes, Osnailton Ferreira de Araújo, 39 anos, os donativos ajudam, mas não resolvem o problema. “Mesmo que venham os alimentos, a renda abaixa”, pontua. Até a visita da reportagem, a família havia recebido cestas básicas, roupas e alimentos.

Membros de uma cooperativa de catadores, cada trabalhador ganha cerca de R$ 400 por quinzena. Para Maria de Lourdes, o preço dos alimentos é outro fator que atrapalha. “O arroz está caro, o óleo também. Está tudo caro, como que faz uma feira?”, questiona.

A rotina da família

Com uma estrutura improvisada, os alimentos trazidos pela família e os recebidos são preparados no local. O acampamento é simples. São nove barracadas montadas a partir de lonas e outros materiais recolhidos durante as jornadas de catador, bem como um “banheiro” mais afastado da área. Além disso, duas cachorrinhas, Priscilla e Pantera, compõe parte do grupo.

A rotina da família é basicamente esperar por doações. “A gente vê que a pessoa quer parar, mas por conta do trânsito e da falta acostamento, não consegue”, pontua a catadora.

Além de saídas ocasionais para tentar um trocado nos semáforos próximos, uma forma de distrair as crianças é dar pontapés ocasionais em uma bola de futebol. No entanto, a principal atividade é a conversa. Todos ficam em torno da “cozinha” para comentar as novidades do dia. Um assunto, contudo, sempre permeia as discussões: a possível chegada do DF Legal no acampamento.“Daqui nunca fomos retirados”, revela Osnailton. Há 18 anos trabalhando como catador, ele conta que já perdeu diversas barracas e colchões em outras invasões. “O medo é que eles [DF Legal] venham depois do Natal”, aponta.

Resultado da pandemia

Residente de Brasilinha, no Entorno do DF, Maria Rosilene da Silva, 49, montou, desde 1º de dezembro, acampamento próximo às margens do Lago Paranoá, em uma área anterior ao acesso à L2 Norte. A esperança é a de conseguir algum donativo até o Natal. “Só perto do dia 24 que vão entregar alguma coisa. Até agora ganhamos só uns panos”, conta.

Sem emprego, endividada e passando necessidades em casa, Maria acredita que a solução é se mudar para mais perto do Plano Piloto. “Eu confio mais nos filhos de Deus daqui porque os de lá [Brasilinha] não tem como ajudar”, revela.

“A gente tenta na assistência social [em Brasilinha], mas tem muita gente necessitada na fila. Muitas crianças e idosos. Essa pandemia que deu aí foi muito difícil”, reclama.

O acampamento tem cinco barracas, montadas com o que os 10 integrantes da família conseguiram juntar de materiais de construção. Há uma área de fogueira que centraliza as estruturas. Elas são conectadas por varais de roupa suspensos nos galhos de árvores próximas.Moradora de um acampamento próximo a entrada da Vila Planalto há cinco anos, outra personagem que espera doações é Rosangela da Silva Santos, 41. A expectativa, no entanto, é que só receba algo mais perto da data natalina.“Pouca gente vem entregar doação, é mais no Natal”, ressalta a integrante do grupo de cerca de 20 pessoas.

Sem emprego, Rosangela conta que tentou fazer uma placa para pedir mais donativos, mas a achou “feia”. De vez em quando, a desempregada vende parte dos itens que recebe para uma mulher que a visita. “A gente come [os alimentos] e também vende para fazer um dinheiro. Ganho cerca de R$ 150”, detalha. Para ela, os primeiros itens que compraria com este dinheiro seria produtos de higiene e carne para dar aos filhos.

Mãe de oito crianças, Rosangela desistiu de procurar emprego. “Até de doméstica ninguém quer olhar pra nós”, reclama. Para ela, estar em situação de rua é o principal fator para permanecer sem fonte de renda.

Ainda com poucas barracas montadas no local – um total de 5 – em comparação com as que ainda virão – cerca de 30-, Rosangela defende que aquele local é o seu lar. “Daqui eu não saio, daqui ninguém me tira porque é daqui que eu vivo”, assume.   fonte      metropoles

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