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Pacientes da UTI diminuem a saudade com vídeos de familiares

  • GDF
  • Abril 23, 2020

Os próprios colaboradores do Base ofereceram seus aparelhos para a iniciativa. Por isso, o hospital estimula a doações desses aparelhos  – especialmente de tablets, que têm telas maiores 


Foto: Davidyson Damasceno / Iges-DF


Um projeto para ajudar pacientes da UTI a “matar a saudade” da família está fazendo a diferença no Hospital de Base, unidade de saúde gerida pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF). Eles têm a saúde fragilizada e, por isso, estão sem receber visitas para evitar a contaminação por Covid-19, a doença causada pelo coronavírus, mas as barreiras do mundo físico não impediram a equipe multidisciplinar do hospital de reaproximar pacientes e familiares. Os profissionais criaram um canal para receber vídeos, fotos e mensagens que são exibidas em telas de celulares ou tablets.


“Nosso objetivo é manter os pacientes em contato com seus familiares. Entendemos que a presença da família colabora para melhora clínica dos pacientes e, nos dias de hoje, com a tecnologia que temos, nada justifica que os pacientes fiquem ser ter contato com os familiares”, defendeu a especialista em Psicologia Hospitalar do Iges-DF, Priscila Hamdam, uma das participantes do projeto, ao explicar que as visitas neste setor foram suspensas porque os pacientes têm maior vulnerabilidade.


O diretor-presidente do Iges-DF, Sérgio Costa, enalteceu a iniciativa dos profissionais, pois considera ser “essa comunicação entre o paciente e seus familiares um fator importante no tratamento, uma terapia que ajuda na recuperação física das pessoas e no equilíbrio emocional”.


Para colocar a ideia em prática, explicou a psicóloga, foi criada uma conta de e-mail e divulgada entre os familiares. “Agora, eles mandam vídeos e fotos diariamente. Algumas famílias enviam quatro vídeos por dia. Até parentes que não vinham ao hospital estão ‘visitando’ os pacientes com essa nova alternativa”, detalhou Priscila Hamdam.


O foco do projeto são os pacientes que estão acordados e conscientes, interagindo. “Os profissionais vão ao leito e mostramos aos pacientes todo o conteúdo. Tínhamos uma paciente que estava com rebaixamento de humor devido à ausência da família. Agora, ela está bem e consegue até caminhar. Todos os dias ela fica na expectativa de quais vídeos vão chegar”, acrescentou Priscila.


Outra paciente é Glória Veiga da Silva, 68 anos, internada há 48 dias. Lágrimas e sorrisos misturavam-se no momento em que assistia a um vídeo com a família inteira cantando uma música para ela.


“Não ver os familiares gera muita aflição. Para mim, como filha, essa atitude que os profissionais tiveram é de suma importância, porque isso mostra que, além de eles estarem preocupados com a saúde física dos pacientes, estão preocupados com a saúde mental tanto do paciente, quanto dos familiares. É muito importante ter a oportunidade de vê-la, mesmo não estando próxima fisicamente”, disse a filha de Glória, Edileusa Veiga.


Também especialista em Psicologia Hospitalar do Base, Cecília Vaz confirmou que a ação serve para acompanhar a família. “Mantemos o contato com eles e sabemos como eles estão emocionalmente, lidando com a internação e a distância. Podemos fazer o atendimento deles também”, complementou.


Ajude


Os celulares e tablets usados na missão de aproximar os familiares dos pacientes são dos próprios colaboradores. Por isso, o setor está recebendo doações desses aparelhos, especialmente de tablets, que têm telas maiores.


Interessados podem entrar em contato neste e-mail: gabriella.costa@igesdf.org.br.


* Com informações do Iges-DF

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